No Brasil do século XVIII, havia 4 grandes grupos linguísticos no território que viria a constituir o Brasil, entre eles o Tupi (o maior deles) e o Macro-Gê. Este se dividia em 23 línguas espalhadas pela região hoje situada entre os Estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo. As principais nações a falarem línguas deste tronco, no território hoje pertencente ao Estado do Rio de Janeiro, são as seguintes:

  1. Puri, Telikong ou Paqui: falada nos vales do Itabapoana, médio Paraíba do Sul e nas serras da Mantiqueira e das Frecheiras, entre os rios Pomba e Muriaé. Estava dividida em três sub-grupos: sabonan, uambori e xamixuna.
  2. Coroado: falada por grupos que viviam na Serra do Mar e nos vales dos rios Paraíba, Pomba e Preto.
  3. Coropó: falada no rio Pomba e na margem sul do alto Paraíba.
  4. Goitacá: falada nas planícies e restingas do norte-fluminense.
  5. Guaru ou guarulho: falada na serra dos Órgãos e nas margens dos rios Piabanha, Paraíba e afluentes, incluindo o Muriaé, com ramificações em Minas Gerais.
  6. Pitá: na região do rio Bonito.
  7. Bacunin: no rio Preto e próximo à cidade de Valença.
  8. Bocayú: nos rios Preto e Pomba.
  9. Caxiné: entre os rios Preto e Paraíba.
  10. Sacaru: no vale do médio Paraíba.
  11. Paraíba: também no médio Paraíba.
  12. Xumeto: na Serra da Mantiqueira.

A nação Goitacá desapareceu no século XVIII, uma vez que foi mais fácil seu extermínio por estar restrita ao Norte-Fluminense, indo de Cabo Frio até a margem direita do rio Paraíba do Sul. Já os Puris, bem mais espalhados, ocupando regiões do RJ, ES e MG, resistiram até o século XIX. Os Tupis, muito mais numerosos, habitavam toda a região Sudeste, indo até o Norte do país. Não há grandes registros da língua Puri no território fluminense, a não ser um vocabulário redigido por Noronha Torrezão, colhido no final do século XIX junto a dois remanescentes puris, do qual destacamos alguns nomes de animais:

1- macaco barbado: tokeh
2- cateto (porco do mato): solakon
3- capivara: bodaqueh
4- cotia: bohkon
5- jacutinga: pitá
6- macuco: shipahra
7- onça: ponã
8- paca: arotah
9- quati: shamutã
10- peixe: nhamaquê

 

 

 

Os nomes em língua puri para a onça "PONÃ" e para a jacutinga "PITÁ" foram escolhidos para os dois indiozinhos-símbolo do Projeto. Já MANAGÉ era o nome dado ao rio Itabapoana no século XVI pelos tupis. O nome Itabapoana é atribuído provavelmente aos brasileiros, descendentes de portugueses, a partir de fins do século XVIII, em homenagem aos índios, mas sem significado confiável.

Para saber mais sobre o vocabulário Puri, clique aqui para ver o artigo "Língua Puri".

Por Arthur Soffiati

Fonte: FREIRE, José Ribamar Bessa e MALHEIROS, Márcia Fernanda. Aldeamentos Índigenas do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: UERJ, 1997.